Assentado da Paraíba vendeu 75 toneladas de polpas de frutas em 2008
A fábrica de polpas de frutas congeladas do assentado Joaquim Luiz da Silva começou a funcionar no início de 2007, dando emprego e renda à mulher, a dois filhos e a outras quatro pessoas do Projeto de Assentamento Canudos, no município de Cruz do Espírito Santo, a 55 quilômetros de João Pessoa. Agora, a família comemora a venda de 75 toneladas do produto durante o ano de 2008 e já faz planos para aumentar a produção da fábrica e conquistar novos clientes.
Segundo Silva, a idéia inicial era aproveitar apenas a polpa do caju plantado em larga escala em assentamentos da região da Zona da Mata paraibana, mas a iniciativa teve tanto sucesso que, em menos de um ano de funcionamento da fábrica, além do caju, a família passou a comprar abacaxi, manga, maracujá, graviola, acerola, cajá e mangaba de 12 assentamentos vizinhos. A fábrica absorve ainda a produção de assentamentos de outros municípios, num raio de mais de 100 quilômetros. Ao todo, 10 empregos diretos e outros 30 indiretos dependem da fábrica de polpas.
“Antes havia muito desperdício. Do caju só era aproveitada a castanha e grande parte da produção das outras frutas também se perdia. Agora, estamos aproveitando tudo”, contou o assentado. A fábrica já possui 45 clientes fixos, incluindo escolas públicas de quatro municípios da região, um hospital e uma rede de lanchonetes da capital paraibana. “Estamos tentando fechar negócio com um rede de supermercados de João Pessoa”, acrescentou Silva.
A Polyfrutas, registrada no Ministério da Agricultura e no Conselho Regional de Química, produz atualmente cerca de 13 toneladas de polpa de fruta por mês, mas tem capacidade para produzir 30 toneladas.
Entre os projetos para 2009 estão: a aquisição de uma máquina embaladora automática com capacidade para embalar até quatro toneladas de polpa por dia e a compra de 10 congeladores para serem colocados em pontos de venda espalhados por João Pessoa. Seu Joaquim explicou que a máquina vai permitir a fabricação de embalagens com 100 gramas de polpa – atualmente as polpas são vendidas apenas em embalagens de um quilo. “Com estas embalagens menores vamos dar uma alavancada nas nossas vendas e, com certeza, conquistar mais clientes”, afirmou.
Esforço compensado
De acordo com Seu Joaquim, foram sete anos de muita economia para construir a fábrica com recursos próprios. Apenas o túnel de congelamento, com capacidade para 20 toneladas, foi adquirido com recursos do Banco do Nordeste.
Joaquim Silva explica que o negócio é gerido por ele e dois filhos. Um deles cuida da organização da produção; o outro é o administrador da fábrica. “O administrador sempre se mantém atualizado sobre o mercado e atento às licitações anunciadas pelas prefeituras paraibanas. A fábrica está presente com os produtos da reforma agrária, competindo com grandes empreendimentos”, disse o assentado.
Os desafios da reforma agrária
O superintendente regional do Incra na Paraíba, Frei Anastácio, disse que o novo desafio da autarquia é reestruturar os assentamentos paraibanos e oferecer assistência técnica contínua para torná-los mais produtivos e para que iniciativas como a de Seu Joaquim se multipliquem.
Em dezembro, o Incra/PB firmou contratos com entidades prestadoras de serviços de assistência técnica que vão beneficiar quase 6.900 famílias de 144 assentamentos da reforma agrária de todas as regiões do estado com melhorias na organização, beneficiamento e comercialização da produção. Além disso, serão elaborados ainda 25 Planos de Desenvolvimento de Projetos de Assentamento (PDA) e seis Planos de Recuperação de Projetos de Assentamento (PRA).
“Precisamos criar condições para que a produção dos assentamentos não seja voltada apenas para a subsistência e comercialização nas feiras agro-ecológicas que já existem em João Pessoa, Campina Grande e no Sertão. Queremos que os assentados disputem espaço no mercado consumidor convencional, com produção através do desenvolvimento sustentável”, explicou Frei Anastácio.
Fonte: MDA.


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